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Setor de logística volta a crescer e traz boas perspectivas para segurança privada

Em entrevista ao Cebrasse, Autair Iuga, vice-presidente da Fenavist e diretor do Sesvesp, mostra que logística tem tudo a ver com segurança privada

O setor de segurança privada, no Brasil, é estimado em cerca de R$ 37 bilhões e gerador de mais de 500 mil empregos formais. Estes números impressionam, especialmente ao ler com atenção o último anuário publicado, este ano, pela Federação Nacional das Empresas de Segurança (associada da Cebrasse), relativo a 2020. É possível constatar a essencialidade do setor de serviço no país, tanto na geração de emprego, como na criação de políticas públicas que contribuam para a segurança pública.

Paralelamente, o segmento sofre alta taxação de tributos, com carga na ordem de 48% ou mais. Além disso, a alta no faturamento no ano passado ficou, de acordo com o anuário, abaixo da média de reajustes salariais concedidos em convenção coletiva de trabalho 3,48%, o que evidenciou que a diferença entre o concedido e o repassado, foi absorvida pela lucratividade. O total de encargos trabalhistas, previdenciários, sociais, de mão de obra e benefícios corresponde, hoje, a mais de 80% do faturamento do segmento.

Outros dados importantes: de janeiro a abril de 2021, o Brasil movimentou R$ 3 trilhões em cargas. Isso significou um aumento de 38% se comparado ao mesmo período de 2020, em que foram contabilizados R$ 2,1 trilhões, de acordo com o relatório Índice da Movimentação de Cargas do Brasil da AT&M. O documento aponta que “um grande fator que influenciou esses números a crescerem foi a mudança do comportamento do consumidor brasileiro com a digitalização, que a pandemia fez saltar durante o último ano”.

Para entender este cenário tão complexo e que o setor vem atravessando, e especialmente com a notícia do reaquecimento do setor de logística pode ser bastante positiva, o Cebrasse News entrevistou o empresário Autair Iuga, vice-presidente da Federação, diretor de escolta armada da Sevesp e da Abrevis, fundador do Semeesp (que congrega 30 empresas de escola armada do Estado de São Paulo, o único do Brasil) e membro consultor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele avalia as variáveis e mostra-se esperançoso com as notícias do segmento de logística. Confira!

Cebrasse News – O senhor poderia resumidamente falar sobre qual o cenário dos transportes de carga (e consequente demanda do setor de segurança privada) na atualidade?

Autair Iuga – Nós tivemos influências negativas na parte de logística. O exemplo é o transporte de equipamentos para grandes eventos, tanto aqui, como fora do Brasil, que parou completamente, sendo retomado gradativamente há pouco tempo. Outro impacto, em se tratando de logística, foi o transporte de alunos. Como as escolas suspenderam as aulas presenciais, os motoristas de vans precisaram buscar outros segmentos de atuação. Mas a paralisação dos caminhoneiros, nas rodovias, foi um problema maior. Isso, de fato, causou um inconveniente enorme, pois aumentou ainda mais a inflação dos produtos que já se encontram bastante onerados, provocando uma menor liquidez tanto dos transportadores, como a terceiros, que são os motoristas.

O lado positivo é que o restante do setor está bem aquecido, inclusive com a abertura de muitas vagas de emprego, relacionada diretamente com o aumento das compras, por parte dos cidadãos, via internet, os e-commerce. Vemos que a pandemia realmente causou uma mudança de hábito da população, consolidando definitivamente as compras on-line (inclusive de suas despesas tradicionais, como vestimentas, produtos alimentícios e equipamentos eletro-eletrônicos). Isso se refletiu positivamente no setor de transporte de valores. A escolta armada, que se manteve estabilizada, registrou um aumento de solicitação do serviço, pois a medida que as empresas migraram fortemente suas vendas para os e-commerce – naturalmente adquiriram mais computadores, notebooks, celulares, enfim, equipamentos cujo transporte necessita de segurança especializada, seja rastreamento, monitoramento, escolta armada de cargas e outras modalidades do setor de segurança privada. Hoje, o transporte de cargas no país, apenas na modalidade rodoviária, movimenta trilhões, o que demonstra a importância da segurança privada.

Cebrasse News – Como a atual crise no preço dos combustíveis – bem como a crise sanitária – têm atingido os negócios do setor de segurança privada e escolta?

Autair Iuga – Com relação a pandemia, desde que foi decretada, adotamos imediatamente medidas rígidas. Seguimos estritamente o protocolo sanitário adotado pelos órgãos de saúde, como distanciamento social, adoção de máscaras e o uso de álcool em gel. Também, nos casos das pessoas contaminadas pelo vírus, elas são automaticamente afastadas, após a testagem que ocorre nas residências dos funcionários. Outra medida que adotamos foi o afastamento das pessoas que atuaram diretamente com quem estava infectado. Esse procedimento só foi suspenso há pouco tempo, com a chegada da vacinação. Com todas essas medidas adotadas, conseguimos ter uma eficácia de mais de 99,8%.

Procuramos também nos aproximarmos ainda mais dos setores de transporte e de logística e comprovando, cada vez mais, que o trabalho de escolta armada é essencial para proteger as cargas que são visadas pela criminalidade. Então, investimos em capacitação, cuidado com a tropa, em especial a armada, uma aproximação maior com os cuidados contra o Covid. Inclusive, alertando para que os protocolos fossem seguidos durantes as paradas, seja para alimentação ou para fazer as necessidades fisiológicas.

Com relação ao aumento de preços dos combustíveis, é um fator que tem, sim, impactado nosso segmento direta e indiretamente. O preço dos combustíveis foi reajustado por cinco vezes consecutivas este ano, causando aumento de 41,3% no preço da gasolina e 34,1% sobre o diesel. Essa elevação do valor pegou todo mundo, do motorista de aplicativo, ao caminhoneiro e demais setores ligados ao transporte, que afetados pelos valores voláteis dos combustíveis, registrou redução do lucro de quem trafega pelas nossas rodovias.

Cebrasse News – Como isso reflete-se na empregabilidade? E como o setor tem se organizado para fazer frente a todos esses desafios?

Autair Iuga – Os nossos indicadores não deixam dúvidas que o segmento de segurança privada vem passando por um momento de retração, iniciado há, pelo menos, cinco anos. Reflexo dos números acanhados e até negativos da economia brasileira. Ao mesmo tempo, os indicadores evidenciam o potencial econômico e social da atividade, que infelizmente encontra-se represado. A segurança privada – que hoje emprega mais de 550 mil trabalhadores – pode gerar milhares de novos empregos em um prazo curto. Para tanto, é necessária a aprovação do Estatuto da Segurança Privada. Por consequência, existiriam mais profissionais nas ruas, liberando o efetivo da segurança pública para atuar, por exemplo, na segurança ostensiva, no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado. A ampliação da parceria entre as seguranças públicas e privadas, que há décadas trabalham de forma complementar, é fundamental para o bem estar da população. Por isso temos atuado junto ao Congresso Nacional, para avançarmos na tomada de decisão política que, neste momento, encontra-se em Brasília.

Créditos da notícia: https://blog.cebrasse.org.br/2021/09/14/setor-de-logistica-volta-a-crescer-e-traz-boas-perspectivas-para-seguranca-privada/

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